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sakura10

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Jan. 16th, 2009

sakura5

Antagonismo

~

De que vale o dia se não há luz
Uma noite sem estrelas e luar
A fusão das estações
Um misturar sem fim
Incompreensível
Tanto quanto minha mente
Mas menor que minha ânsia
De viver
De amar
De sofrer
Incompreensível
O antagonismo que divide
Duas partes de mim
Uma aqui comigo
E outra que não posso alcançar.


Nayara


~

Dec. 23rd, 2008

sakura2

Se eu fosse...

~

- Se eu fosse um mês seria... Outubro

- Se eu fosse um número seria… 19
- Se eu fosse um planeta seria… Marte
- Se eu fosse uma direção seria… Sul
- Se eu fosse um móvel seria… Escrivaninha
- Se eu fosse um líquido seria… Água
- Se eu fosse um pecado seria… Preguiça
- Se eu fosse uma pedra seria… Quartzo
- Se eu fosse um metal seria… Prata
- Se eu fosse uma árvore seria… Cerejeira
- Se eu fosse fruta seria… Morango
- Se eu fosse flor seria… Jasmim
- Se eu fosse um clima seria… de Montanhas
- Se eu fosse um instrumento musical seria… Piano
- Se eu fosse um elemento seria… Ar
- Se eu fosse uma cor seria… Preto
- Se eu fosse um animal seria… Águia
- Se eu fosse um som seria… Assovio
- Se eu fosse uma letra de música seria… O dia que resolvi sumir (Amnese)
- Se eu fosse uma canção seria… Burden (Opeth)
- Se eu fosse um estilo de música seria… Clássica
- Se eu fosse um sentimento seria… Nostalgia
- Se eu fosse um livro seria… A Menina Que Roubava Livros (Markus Zusak)
- Se eu fosse uma comida seria… Harumaki
- Se eu fosse uma cidade seria… Kyoto (Japão)
- Se eu fosse um gosto seria… Doce
- Se eu fosse um cheiro seria… de Chuva
- Se eu fosse uma palavra seria… Mistério
- Se eu fosse um verbo seria… Pensar
- Se eu fosse um objeto seria… Lápis
- Se eu fosse uma roupa seria… Vestido
- Se eu fosse uma parte do corpo seria… Olhos
- Se eu fosse uma expressão seria… Sonhadora
- Se eu fosse um personagem de desenho animado seria… Sakura (Tsubasa Chronicle)
- Se eu fosse um filme seria… A Promessa
- Se eu fosse forma seria… Fractal (formas geométricas complexas e irregulares)
- Se eu fosse uma estação seria… Outono
- Se eu fosse uma frase seria…

~

Dec. 11th, 2008

sakura12

O tempo que se rende

~

É crepúsculo e ela caminha sozinha em uma rua do século XIX. Sua vestimenta trata-se de um belo vestido azul profundo de renda e organza de seda pura. Seu tom escuro e enigmático ressalta o colo de pele alva e reflete nos olhos, igualmente misteriosos e observadores. O volume do vestido se derrama e flutua como a brisa suave que movimenta seus cabelos soltos. Em seu rosto estampa-se a suavidade da liberdade e nos olhos o calor que confunde e embriaga. Tudo em um misto viciante de azul e de castanhos densos e inconfundíveis.

E ela caminha graciosamente, espalhando seu aroma que se mistura com as flores dos jardins da vizinhança. Tal como arte de criança, mas com toque de mulher. Então ela pára com um meio sorriso no rosto, fecha os olhos e sonha. Voa longe, seu vestido se desintegrando no tempo e espaço como ondas do mar, deixando a clareza de sua pele iluminar essa fenda que surgiu em sua mente e que agora a transporta, como em passe de mágica.

O meio sorriso ainda está presente, mas os castanhos profundos dos olhos se destacam no rosto de menina dissimulada. Nas mãos está uma caneta de escrita fina e sobre as pernas um caderno com aparência antiga, já amarelado pelo tempo, cheio de escritos e desenhos por todos os cantos. O ar puro envolve seus pulmões e ela respira satisfeita, pronta para o próximo passo.

Como se acariciasse, ela pressiona a caneta sobre as folhas antigas e desenha palavras com toda delicadeza. Vez ou outra pára para admirar a paisagem e encher o peito de inspiração para mais um parágrafo. A árvore na qual está sentada assiste a tudo com devota paixão, devolvendo-lhe a alegria em forma de brisa suave que movimenta seus cabelos longos e o tecido leve de seu vestido. É todo florido, destacando os contornos do corpo e misturando-se às cores e imagens da natureza à sua volta.

Com uma assinatura ela se despede de seu velho e fiel caderno de sonhos. Então cuidadosamente o abraça, como que a um ente querido e sonha novamente. E o tempo se desfaz sob seus pés, em um misto de brisa com folhas secas da árvore que outrora lhe abrigara. A fenda se abre novamente, e como mulher apaixonada ela se entrega a essa viagem sem destino certo. O caminho não é longo, mas para quem sonha não há medidas de tempo, ele simplesmente se rende à estagnação.

As luzes da cidade anunciam que já é noite, assim como a ausência de iluminação nas casas ao seu redor mostram que a maioria das pessoas descansam de um dia aparentemente normal e rotineiro. Mas para ela não há sono ou anseio de descanso quando sua mente acaba de voltar de um devaneio, de suas viagens que abrem fendas no tempo e espaço. Então caminha pela casa escura, acariciando as paredes que conhece tão bem, sentindo o chão frio através de seus pés quentes.

E segue determinada, envolta pela escuridão até o cômodo onde seus sonhos tornam-se realidade. Senta-se e então os dedos deslizam criando palavras, frases, histórias. Sobre si mesma, sobre pessoas que não existem senão em sua mente e, então ela sabe que seus sonhos se realizam a cada instante em que tomam espaço dentro de si. Se fazendo e desfazendo em cores, aromas, sabores, pessoas e histórias. De toda uma vida que generosamente abre suas portas para que o até então impossível e desacreditado torne-se realidade.


Nayara


~

Dec. 9th, 2008

sakura8

Não mais existo

~

Desaparecendo na dor, tornando-se um misto de vazio e medo. Não sei o que sou, o que sentir... Eu não mais existo.

Meu ser perdeu a essência, a cor, o brilho. Ninguém pode me tocar porque estou muito longe de tudo e de todos. O obscuro me cega, as músicas me levam para um lugar inexistente, e eu não posso mais sentir. Eu não quero mais sentir porque dói demais, e eu não suporto... Mas nada pode cessar essa dor.

Ninguém pode me compreender ou me mudar. Ninguém pode preencher meu vazio. Dentro de meu ser, transparecendo em minha alma existe algo que não sei ao certo, mas que ninguém além de mim pode ver. Mas nunca poderei tirar, talvez se o fizesse eu morreria.

Morrer. Palavra que designa o descanso da dor. Essa dor que me tortura, que machuca as pessoas que se aproximam de mim, uma por uma. E elas não entendem o modo como me esvaio, como deixo de existir em suas vidas. Quando dou por mim, já estou longe, sem ao menos saber o por quê. Sem nunca mais voltar.

Sou algo além do que o mundo pode compreender. Algo inexistente, mas que ainda permanece vivo. Permaneço viva no silêncio, nas profundezas do abismo gélido e obscuro de minha alma. Permaneço confusa e submersa, amando e sofrendo, e mais do que isso, em um constante misto de sensações que me embriagam.

Mas um dia, sei que não mais existirá medo, dor, sensações que mal posso compreender e controlar e que tiram minha vida em instantes. Porque um dia não mais existirei! E minha fiel amiga solidão se sentirá sozinha, enfim. Não virarei flores, anjo, cinzas ou sequer terra. Serei o nada, o vazio. O mesmo que sempre existiu em cada parte do meu ser. E serei feliz na eternidade, não mais existindo!


Nayara


~

Dec. 7th, 2008

sakura9

Elas

~

Elas vêm ávidas por felicidade, apagando qualquer centelha de luz e boa-aventurança. Um só sentimento negativo serve como chamariz para essas famintas criaturas, que sem piedade fazem do dia uma obscura noite.
Pessoas pessimistas costumam atraí-las com maior intensidade, e em alguns casos elas se transformam em companhia.
Apesar de ilusórias, seu frio constante e nagatividade acabam sendo alguma coisa para quem não tem nada. Um triste consolo que pode levar à um caminho escuro, vazio e sem retorno.


Nayara

~

Dec. 4th, 2008

sakura9

Desejo um Alguém

~

Desejo um alguém para compartilhar
Minhas dúvidas e incertezas
Para deitar no jardim sem querer nada, e sonhar
Olhando para o céu e navegarmos juntos pelas estrelas.

Querer um abraço a todo momento
Necessitar de um sorriso, de um olhar
Que possa que me dizer muito mais que palavras escritas.
Poder preencher meu coração de sentimento
E somente com gestos mostrar mais que palavras ditas
O meu ser transbordante de tanto amar.

Desejo um alguém para ser somente um.
Alguém que faça com que os segundos não tenham fim
Que me entenda sem eu ao menos lhe falar
Meu sorriso, minha alegria ou meu tormento
Ao meu lado, ou a quilômetros de mim,
Sem limite algum.

Um dia serei feliz, sem lamento
E sem saber a hora e o lugar.
Por tanto tempo buscando incessantemente
Esse alguém eu vou encontrar!


Nayara


~

Nov. 30th, 2008

sakura13

Solidão

~

A solidão é um bálsamo que mais fere do que cuida.
Mas estar separado de quem se ama é sempre solitário. 
Então o que fazer quando a única escolha no momento é deixar esse amor voar?
Para longe, fora do alcance dos olhos, da mente e do coração.
E então eu abraço minha solidão...
Mas quando abro os olhos vejo minhas pernas, e estou curvada sobre elas.
Com os olhos turvos e vazios.
Estou chorando...
... Pela sua parte em mim que não quer sair.
... Porque te amo e sei que devo te libertar.
E então eu abraço minha dor...


Nayara

~

Nov. 26th, 2008

sakura7

Brevidade

~

O vento sopra ao longe numa brisa fria e suave. Não estou sentindo fisicamente, mas posso me imaginar andando em um jardim à noite só para sentir o aroma das flores, do vento em meus cabelos e da grama úmida de orvalho em meus pés. Então descubro que além de uma fábrica de sonhos, minha mente tem o poder de me transportar para lugares que desejo estar, ver coisas que não posso ver e vivenciar sentimentos que não posso alcançar.

É um modo sutil de ilusão, mas há alguém que um dia não necessitou disso? Pelo menos em doses saudáveis? Bom, eu pelo menos já estou com minha dose em mãos. E desfrutando dela com cautela junto de minha fábrica de sonhos e emoções. E pensando... pensando em tudo e nada ao mesmo tempo. Sei que minha vida nunca foi nenhuma aventura, nenhuma história fantástica para ser escrita, mas dentro de mim há um mundo a parte. E bem vasto, profundo, praticamente inabitado e não descoberto. Só eu tenho acesso. E as pessoas costumam ter medo quando chegam perto da entrada. Até eu tenho certo receio quando resolvo me aprofundar muito nele.

Mas com minha dose de ilusão, minha mente e meus pensamentos, e claro, uma certa quantidade de persuasão e coragem, vou dando forças para minhas asas crescerem. Claro que vai ser difícil encarar a vastidão do mundo quando eu estiver aprendendo a voar, mas é só uma fase. O primeiro vôo poderá não ser lindo, mas será o precursor daqueles que ficarão registrados como os mais belos.

É estranho ser prisioneira de mim mesma. Isso soa estranho? Mas não é. Há aquele típico estágio de vida em que tudo está de certo modo confortável e seguro, que talvez não valeria a pena arriscar. Aí entra a prisão de si próprio. E bem, estou tentando me libertar da minha. Não é algo que se faz do nada, primeiro começa de dentro, com uma humilde revolta pela própria mediocridade, então o pensamento se intensifica, começa a incomodar. Logo depois entra a fase do "ir ou não ir", e é aí que muita gente pára e volta ao que era antes da fagulha de vida tentar brilhar. Ou seja, joga um balde de água em si mesmo. A sensação de início não é muito agradável, mas não é algo tão difícil de acostumar. Se acostumar é um verbo constante na vida de quem constantemente apaga as fagulhas que surgem.

Mas há alguém que se encantou pelo brilho da fagulha, quer acendê-la, quer ver o efeito que causa. E estimula a fábrica de sonhos e sensações, dia após dia. Sofre, sente raiva e pena de si mesmo, se inconforma, mas ama quando vê a chama se curvando como se dançasse ao som de uma melodia. Então chega a parte mais difícil. Mexer todas as células do corpo em um ritmo constante, dia após dia novamente. E assim vai até descobrir o que estava faltando quando aquela humilde revolta surgiu. Alguns sabem antes de acontecer, mas é mais doloroso assim, principalmente se o desfecho é desistir. Mas por outro lado, pode ser verdadeiramente estimulante.

Outros preferem arquivar durante um tempo até juntar determinação e energia suficientes para mexer com as células do corpo. Mas é claro, não apagam a chama. Ela precisa de agrado, precisa ser cuidada, não pode ser abandonada que apaga logo. É nesse quadro que eu atualmente me encaixo. Estou precisamente tentando remexer as tais células. E é particularmente difícil quando já as acostumei a serem preguiçosas e inertes a estímulos tão distintos dos quais elas se acostumaram a viver. Mas agora não vou parar, é uma luta constante com si mesmo e com o resto do mundo, de certa forma. Principalmente quando se olha ao redor e descobre que a solidão é bem marcante. Mas assim são os desafios.

E se após tudo isso acaba? Não, de modo algum, é apenas o começo. Existirão muitas oportunidades para exercitar esse lado não medíocre de viver. E claro, células se renovam o tempo todo, então há necessidade de remexê-las para que não se acostumem. Porque sabe como é, a vida é algo realmente tão fortuito e magnífico, então deve-se ser proficiente ao lidar com ela.



Nayara


~

Oct. 13th, 2008

sakura4

O Anjo

~

Hoje um anjo veio falar comigo, não pude ver seu rosto, somente uma sombra, que hora transmitia-me calor, ora frio. Carinhosamente, com uma doce voz, disse-me:

- Tenho te observado há tempos. Percebo e sinto que carregas um grande fardo, o qual deixa sua gota de sangue em cada pedaço teu. E estas gotas escorrem e queimam tua pele, queimam teu coração até chegarem a tua alma. E percebo que estás em desespero, não mais encontro aquele teu belo sorriso sempre a transmitir inúmeros sentimentos.

E depois disso, ele deu uma longa pausa, e senti que me olhava fixamente. Pensei sobre o que me dissera, sobre as angústias que vivem em mim. As sombras começavam a tomar uma forma, mas ainda indefinida. Com ternura, proseguiu:

- MInha querida, sabes que estou sempre ao teu lado. Sabes que estou em teus pensamentos, escutando tuas súplicas e vivendo também teus desesperos. Sabes que posso ver cada marca existente em teu belo e frágil coração. E sabes que, além disso, posso enxergar cada forma de tua alma. Mas não sabes como me dói estar aqui sem poder dizer-te nada, e ver que definhas a cada segundo.


Novamente ele fez uma pausa, porém longa, que me fez sentir que nunca acabaria. E eu não estava me sentindo mal, pela primeira vez. E pude sentir um calor confortante que invadia cada pedaço de meu ser.. Sabia o que iria acontecer, porém mantive-me quieta e atenta às suas palavras, que a cada pausa diminuíam minha dor e aflição. Tornou-me a dizer:

- Sabes... Realmente sei o que queres, e sei que nada que ouças de mim amenizará teu sofrimento. E nenhum abraço, nenhum calor de espécie alguma será capaz de curar-te. Sei que o que procuras está além do que podes enxergar, e se é isto que queres, aqui estou para fazê-lo.


Sim... Ele realmente sabia o que eu queria. E pude ver seu rosto, que me surpreendeu, e logo exclamei:

- Mas você! Mas você... Você sou eu!

E novamente respondeu-me:

- SIm, sou você. Mas um "eu" que você nunca pôde ver e que sempre esteve presente. E estou aqui, para irmos juntas ao teu lugar, ao lugar que esperastes por toda vida. Não mais sofrerás, e lá seremos uma só... Na eternidade! Vamos, dê-me tua mão!

E sem hesitar, dei minha mão, fechei meus oilhos e toda a dor cessou-se. Pude sentir-me livre, como nunca havia me sentido. E fui voando de mãos dadas com aquele anjo que possuía minha face, minhas dores e meus tormentos. E suas últimas palavras dirigidas a mim enquanto voávamos foram:

- Agora seremos felizes!



Nayara

~

Oct. 5th, 2008

sakura5

Passado, Presente ou Futuro?

~

Imagens vêm e vão, num colorido e preto e branco misturados, distraindo e me arrastando para um lugar que desconheço. São pequenas histórias passadas e futuras, mas não presentes, porque nesse momento não consigo construi-lo. Como construir um futuro envolto em fragmentos de passado e em um presente que mal se realiza? Talvez esse seja o significado verdadeiro de se perder no tempo, quando não há base para nada.

Schopenhauer diz que é preciso esquecer o passado e não planejar o futuro para que se possa viver intensamente o presente. Mas fazer isso não seria abandonar os sonhos? Ou talvez os sonhos sejam armadilhas, como inúmeras outras coisas nessa frágil existência humana.

Só sei que hoje é aquele típico dia para se perder no tempo e na existência, e pensar nas possibilidades e impossibilidades dessa vida. E claro, para sentir aquela enorme saudade do que ainda não existiu, e que pulsa forte desejando que se torne realidade.


Nayara


~

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